Pinturas Narrativas

Histórias Inacabadas
Maria Angélica Melendi

A casa pequena recorta-se contra o céu. O chão desfralda-se em estratos coloridos: terra-de-siena, amarelo, azul, azul celeste, várias nuances de marron e, de novo azul, azul marinho. A casa pousa no terreno, leve, como senão tivesse peso algum. Solitária, sem portas, sem jardim, sem árvores sem flores. apenas uma pequena casa.

 Quem é essa mulher submersa numa água escarlate? Ela nada --- os cabelos negríssimos espalhados na corrente vermelha --, ou se afoga? Nesgas de azul e branco nos permitem imaginar a demora do crepúsculo ou a iminência da aurora. A mulher vermelha confiante nada entre as águas do começo ao fim do dia.

A rua principal deste arraial acaba no céu. Ou será que ele pertence ao céu? Um homem sozinho em uma cavalgada vai... Para onde? No céu de nevoeiro que envolve a paisagem, as casas gravitam, flutuam, derivam, navegam sem se submergir, vão para um lugar nenhum. Àquele lugar para onde se dirigem o homem e o burricodia.

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